Yeda está por um triz: Crise do governo do RS se agrava com acusação do Ministério Público e anúncio da CPI contra Yeda.
Agosto, o conhecido “mês do cachorro louco” ou “mês do desgosto”, não começou bem para a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius.
Na última quarta-feira, 5 de agosto, ela, juntamente com uma “equipe” de outras oito pessoas, foram acusadas pelo Ministério Público Federal de improbidade administrativa. A “equipe” denunciada pelo MP é agora oficialmente tratada como o que é de fato: uma quadrilha!
A ação foi ajuizada pela vara de Santa Maria (centro do estado), que retém toda a documentação relacionada à fraude do Detran (escândalo envolvendo o atual governo do Estado através do órgão emissor das carteiras de motorista, repleto de casos de propina, desvio de verbas e enriquecimento ilícito).
Estas acusações já haviam sido feitas há quase um ano, tendo havido um assassinato desde então (Marcelo Cavalcante, assessor próximo de Yeda, encontrado morto em Brasília), inúmeras demissões de secretários do governo e gravações que revelavam o envolvimento de todo o 1o escalão, marido e parentes da governadora na corrupção.
No meio das denúncias, ficou explicitado inclusive que a casa de Yeda foi comprada com dinheiro de empresas fumageiras, corruptoras, que repassaram R$ 400 mil para a governadora, sem declarar, e depois foram beneficiadas por dinheiro público. Entre a quadrilha de Yeda está inclusive um vice-presidente do Banrisul, maior banco do RS, comprovando que o esquema já se alastrou por todos os lados do governo e autarquias.
A Justiça quer abafar o caso
Como o MPF não divulgou -explicitamente- pelo que os réus serão julgados, alegando segredo de Justiça, tudo ainda está no campo da especulação. Segundo os procuradores, os nomes citados são beneficiários, operadores ou intermediários de irregularidades, mas não citam quais seriam e o grau de envolvimento de cada um deles.
Os envolvidos na ação são: a governadora Yeda Crusius (PSDB), o professor Carlos Crusius (seu ex-marido), os deputados José Otávio Germano (PP), Luiz Fernando Záchia (PMDB), Frederico Antunes (PP), o ex-secretário Delson Martini (PSDB), a assessora da governadora Walna Vilarins Meneses, o diretor do Banrisul Rubens Bordini (PSDB) e o presidente do Tribunal de Contas do Estado, João Luiz Vargas (PDT).
Caso o pedido dos procuradores seja acatado pela Justiça Federal, já que nem isso ainda aconteceu na morosa tramitação do processo, os réus poderão ter de deixar os cargos até o fim do processo e fica vetada a contratação deles por parte do poder público. Se condenados, terão de devolver aos cofres públicos os valores tomados de forma irregular, alem da possibilidade de perderem seus direitos políticos.
Mas o “detalhe”: a ação não prevê a prisão dos envolvidos. Questão importante, já que um dos procuradores, Adriano dos Santos Raldi, afirmou que “não haverá moleza para esses réus”. A declaração soa contraditória e desprovida de sentido, porque sabemos que, para esse tipo de réu, não só há moleza, como muita regalia e impunidade, ao contrário do tratamento dispensado aos conhecidos “ladrões de galinha”.
Esta decisão do MP ocorre após quase um ano de enrolação, em que os documentos e provas estão sendo escondidos da população. Mesmo agora, diante de fatos e gravações tão flagrantemente demonstrados, o MP pede o afastamento e suspensão de direitos políticos dos envolvidos, mas nem revela o conteúdo das milhares de gravações feitas, nem incriminou ninguém no terreno cívil.
Rejeitar a saída eleitoral ou institucional
Como o governo Yeda, há muito tempo, passa por turbulências, vivendo uma instabilidade constante, permanentemente trocando secretários, assessores e membros, não seria de estranhar que, em seu penúltimo ano de gestão, acontecesse um impeachment, tamanha é a corrupção sendo revelada.
Mas o impeachment não viria porque os deputados repudiem a corrupção, mas porque veem, na queda de Yeda, uma oportunidade para “uma boquinha a mais” para seus partidos (no caso do PT, PCdoB e PSOL), assim como sabem que, se punirem o atual governo por corrupção, podem ter uma imagem de “menos corruptos”, “justiceiros”, diante da população e, o que é mais importante, dos eleitores. Quanto aos partidos da base aliada, afastar Yeda pode ser a saída para preservar seus próprios membros envolvidos em escândalos.
Neste sentido, o impeachment, que era rejeitado pela direita tradicional, e tomado com cautela pela nova direita, expressa nos partidos da base do governo Lula, muda de caráter, e passa a ser uma opção de salvar o regime e os negócios burgueses no estado. Junto do impeachment, e ainda mais reacionária ainda, é a instalação da CPI, que todos sabem que não vai dar em nada. É inadmissível que, diante da comprovação do roubo (até mesmo pelo MP), a Assembleia queira instalar uma CPI, que vai se arrastar por meses e salvar Yeda.
Não nos iludimos com essa corja. O vice-governador, Paulo Feijó (DEM), linha de frente na oposição a Yeda, mal conta as horas para assumir o posto da tucana. Em caso de impeachment, ele é o primeiro na linha sucessória. Alguém acredita que alguém que também é denunciado por irregularidades durante o mandato e é um dos maiores empresários do estado, seria honesto e comprometido com os trabalhadores? Diante de seu afastamento, o 3o, 4o e demais sucessores seriam os membros da Assembleia Legislativa, tão ou mais corrupta que Yeda.
Assim, o impeachment não é a melhor saída para os trabalhadores, que anseiam por um governo de fato seu. O governo corrupto deve cair pela pressão e mobilização de nossa classe, que deve encurralar essa quadrilha e expulsá-los, para sempre, da vida política.
Entretanto, o próprio MP já deixa abertas as brechas para que, mesmo condenados, eles possam voltar (aos moldes de Fernando Collor de Melo). Até porque, segundo eles, “todos merecem uma segunda chance”, principalmente se forem ricos. Se forem pobres, que apodreçam em celas superlotadas, pois não tem qualquer chance de regeneração.
Por um governo dos trabalhadores
Os trabalhadores gaúchos não podem aceitar que Yeda acabe seu mandato. É preciso acabar com a “caixa-preta” do MP e saber todo o conteúdo das gravações e do processo. A máfia instalada no Executivo e Legislativo gaúchos tem em sua ficha corrida: assassinato, roubo, extorsão, corrupção e assim por diante. A população tem o direito de saber o que tem sido feito com seu dinheiro.
Da mesma forma, imediatamente é preciso organizar os trabalhadores pela derrubada deste governo. Nem Yeda, nem o vice Paulo Feijó (DEM), nem a Assembleia Legislativa, tem condições de governar o estado.
Os trabalhadores podem e devem impedir as ações desse governo, e radicalizar o atual movimento de Fora Yeda com o objetivo de pôr para fora todos os corruptos e políticos a serviço da burguesia. A crise desse governo é maior que ele próprio, e demonstra a corrupção de todo o capitalismo. Yeda e seus comparsas não fizeram nada diferente do que fez Lula e o bando dos 40, de José Dirceu, no esquema do mensalão e outros tantos.
Por isso, além de derrubar Yeda, é necessário expropriar os empresários corruptores e que se beneficiaram neste e nos outros governos da corrupção. É hora de aumentar a luta nas ruas, com mobilizações contra todo o governo, o regime e as instituições que o sustentam. Não se pode cair no conto eleitoral mais uma vez, como querem PT e PSOL. A hora é de defender um governo dos próprios trabalhadores, por meio de seus organismos.
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