É aberto processo de impeachment contra Yeda no RS
Depois de 3 anos de roubo e crimes, finalmente foi aberto o processo de impeachment contra a governadora Yeda Crusius (PSDB), na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul. O envolvimento da governadora em um esquema de corrupção, responsável pelo desvio de mais de R$ 44 milhões do Departamento de Transito do estado (Detran) é apenas a face mais documentada de uma quadrilha responsável por caixa 2, compra da mansão em que mora Yeda e do assassinato de um assessor do governo, Marcelo Cavalcante.
Desde que foi anunciado o esquema, muita coisa aconteceu. Foram encontradas gravações de secretários e pessoas de confiança de governadora - até mesmo seu ex-marido, Carlos Crusius -, onde articulavam o que fazer com as remessas de dinheiro desviadas.
Junto com as revelações de novas fraudes, parte dos trabalhadores se organizou para lutar contra esse governo, construindo mobilizações com o conteúdo de “Fora Yeda”. Mas o descrédito de Yeda é uma coisa que atinge a imensa maioria da população, mesmo dos que não saíram ativamente às ruas, e não é à toa que este é o governo que conta com menos confiança, considerando todos os outros governadores do Brasil.
Produto dessa indignação popular, depois de instalada a CPI estadual, e do Ministério Público (MP) gaúcho ter pedido o afastamento da governadora, o presidente da Assembléia estadual, Ivar Pavan (PT), anunciou a abertura do processo de impeachment contra Yeda Crusius.
Uma saída institucional rumo a lugar nenhum!
Agora, se criará uma comissão eleita pela Assembléia, composta por 33 deputados. A eleição desta comissão será dia 22 de setembro, e já está claro que os governistas terão maioria de votos. Já se sabe até quanto vai ser o placar final: os 22 governistas irão arquivar o processo, contra o voto dos 11 deputados de oposição, que já sabem disso tudo, mas querem levar adiante o circo da comissão,para ganhar imagens na TV.
Ou seja, assim como na CPI, e em qualquer outra comissão do Senado ou Câmara Federal, tudo vai acabar em pizza, absolvendo Yeda de todos os crimes contra os trabalhadores.
Ao mesmo tempo em que era anunciada a abertura do processo de impeachment, o governo se reunia para aprovar o orçamento de 2010, e para Yeda marcar uma série de viagens pelo estado, segundo ela "para mostrar os avanços de seu governo”. O que ninguém sabe é o que a governadora tem para mostrar, pois nada é aprovado no estado há alguns meses, em vista da paralisia das instituições do regime.
O governado de Yeda, que já vinha se dando de uma forma "zumbi", como um morto-vivo, sem apoio em nada e ninguém, agora tenta se preservar em cima de trocas constantes no secretariado, para tentar passar uma imagem de mudança. Mas além de seguir na mesma, o governo a cada dia fica mais enfraquecido e desmoralizado.
PT se nega a derrubar Yeda e encaminha tudo para a assembléia governista
Ivar Pavan, deputado do PT, foi responsável por anunciar que, depois da análise de 26 situações que ligariam a governadora ao esquema de corrupção, era possível dar início ao impeachment. O anunciou foi festejado por sindicalistas da CUT, como a presidente do CPERS (Sindicato dos trabalhadores da educação do RS, que a maioria da Conlutas também apoia), Rejane Oliveira, assim como Raul Pont - deputado do PT -, e vereadores do PSOL.
A postura desses dirigentes, de jogar todo peso para que o problema se resolva através de uma CPI, que iniciou e até agora nada fez, é a mesma que agora acha que é possível derrubar a governadora através do impechment, via Assembleia Legislativa.
O que está por trás dessa postura, que na prática vai fazer com que nada aconteça com a governadora, é a disputa eleitoral de 2010. Para a oposição eleitoreira, não é viável derrubar a governadora, o que poderia levar à desmoralização do próprio regime democrático burguês. Mais lucrativo para eles é levar Yeda em banho-maria, até o ano que vem, se apresentando como a opção eleitoral de “esquerda”.
Essa mesma lógica se expressou no campo sindical, onde centrais como a CUT, Intersindical e a CONLUTAS encaminharam uma campanha incapaz de derrubar a governadora. Desde o início, a postura do PT foi a de jogar todas as resoluções no colo de deputados, e para isso fizeram campanhas que se resumiam a pressionar os parlamentares.
Fora o fato de se negarem a chamar os trabalhadores à luta direta, quando se chamavam manifestações, eram atos que ocorriam em pleno horário de trabalho, inviáveis para toda população descontente com este governo, além de estarem sob eixos completamente oportunistas e que direcionavam a raiva popular para uma saída judicial ou parlamentar. A CUT fez dos atos um grande palanque para seus próximos candidatos nas eleições. Estas posições acabam levando a que a crise esfriasse, e deu tempo à base aliada do governo para engavetar o escândalo.
A única coisa que pode fazer com realmente Yeda Crusius seja derrubada é a mobilização popular. No que depender da Assembléia, e da CPIzza, Yeda será desculpada e tudo se encaminhará para as eleições de 2010, onde a própria Yeda não descarta a hipótese de concorrer.
A saída que está se dando agora é mesma que faz com que gente como Palocci, Zé Dirceu, e tantos outros envolvidos no mensalão de Lula voltem à cena.
Para derrubar Yeda só indo à luta na rua
A única chance de se derrubar o governo de Yeda se dará nas ruas. Somente com mobilizações que abarquem o conjunto da população é possível derrubar este governo corrupto. Já está claro que no que depender das atuais direções dos trabalhadores nada disso vai acontecer, pois já perderam o grande momento, quando a indignação ainda não tinha se transformado em ceticismo.
Nós, do Movimento Revolucionário, chamamos os trabalhadores e a juventude no RS a não aceitarem mais essa enganação. Ainda é possível derrubar Yeda, e isso vai depender da luta e organização. Todos às ruas, para derrubar Yeda!
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