20 de Novembro:
dia de derrotar Lula contra o racismo
O dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, mais do que uma data para resgatar a luta de Zumbi contra a opressão racial, deve servir para avançar na luta contra o seu grande sustentáculo hoje, no sistema capitalista: o governo Lula. Palmares, ao combater o sistema colonial no quilombo, coletivizando a produção e abrigando negros, índios e outros setores marginalizados na sociedade, demonstrou que somente a luta de enfrentamento com a base do sistema opressor, a organização independente e a unidade com os demais setores explorados e oprimidos concretiza uma luta conseqüente contra o racismo.
João Cândido seguiu esta lição e Malcon X soube precisar bem a dimensão da luta contra o racismo no capitalismo ao afirmar que “Não existe capitalismo sem racismo”. De fato, o capitalismo necessita do racismo, bem como do machismo e da homofobia, para melhor explorar o conjunto da classe trabalhadora. O governo Lula tenta fazer a manutenção da farsa da democracia racial, mas só o que faz é promover mais ataques. Para os negros e negras pobres, jovens e trabalhadores só o que existe é favela, violência, desemprego e nenhum acesso à educação e saúde pública de qualidade.
Os negros e negras, que em geral começam a trabalhar desde muito cedo, vão sofrer ainda mais com a Reforma Previdência, que aumenta para 65 anos a idade mínima de aposentadoria para as mulheres e para 67 anos a dos homens. Como se não bastasse, o tempo de contribuição também aumenta em cinco anos. Além disso, projetos que aos poucos vêm sendo implementados, como o Reuni, querem dificultar ainda mais o ingresso dos negros na universidade; assim como o super-simples no mercado de trabalho.
Não é à toa que uma recente pesquisa sobre índice de escolaridade da população negra reafirmou a farsa que é o fim do racismo: apenas 3,6% dos negros têm ensino superior completo em São Paulo e o índice de desemprego é de 18,5%. No Rio Grande do Sul, o índice de negros com ensino superior completo cai para 3,2% e o índice de desemprego é de 18,5% na região metropolitana de Porto Alegre. Nos presídios a parcela de negros continua sendo a maioria absoluta, enquanto os grandes ladrões e corruptos, ficam a solta para continuar roubando, explorando e implementando reformas que retiram direitos históricos, conquistados com muita luta pelos trabalhadores. Nas favelas, os negros sofrem com a violência e os caveirões subindo o morro para massacrar o povo pobre, como acontece diariamente no Rio de Janeiro. Não podemos esquecer que em todos estes elementos estão inseridos o aspecto de classe: o negro massacrado, perseguido e cerceado em seus direitos é o negro pobre e trabalhador.
Por tudo isso, uma luta de combate real ao racismo no capitalismo passa por enfrentar não só medidas que atacam os negros e negras, mas o agente destes ataques. Derrotar Lula e por abaixo o congresso corrupto, construir o enfrentamento com o conjunto do governo que ataca os negros e negras trabalhadores e jovens, por meio da organização classista é necessário, não só no sentido de assegurar conquistas como, por exemplo, a implementação de cotas raciais e sociais na universidade e a não apropriação dessa luta pelo governo e por setores oportunistas que consideram que essa luta se basta, mas também para que tais conquistas avancem rumo ao socialismo. Somente com uma revolução socialista dos trabalhadores, a luta contra o racismo será vitoriosa.
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