39,3% da população mundial vive em países onde o aborto é totalmente legalizado!
O dado soma-se a outros, como:
-25,9% da população mundial vive em países onde o aborto é totalmente proibido ou “permitido” em casos de risco de vida à mulher ou estupro (como no Brasil);
-9,4% onde é permitido, além dos casos anteriores, é para preservar a saúde física da mulher (como na Argentina);
-4,1% onde, além das situações anteriores, é permitido quando a gravidez provoca abalo emocional na mulher (como na Argélia);
-21,3% onde é permitido também por questões socioeconômicas -falta de recursos financeiros- (como na Índia).
Quem recentemente juntou-se ao bloco predominante é a Espanha.
No país predominantemente católico, onde ocorrem mais de 100 mil abortos por ano, as mulheres que desejarem interromper a gravidez podem fazê-lo, sem qualquer interferência judicial ou familiar, a partir dos 16 anos. Nesse caso, o procedimento deve ser realizado dentro das primeiras quatorze semanas de gestação. Para os casos de má formação fetal ou risco de vida à mãe, a interrupção pode ser feita até a 22 semana. Caso se revelem anomalias extremamente graves e incuráveis, o aborto poderá ser fora desse período.
Atualmente, apenas 3% dos abortos feitos no país são realizados em hospitais públicos, e não deve mudar muito, pois para essa operação serão chamados médicos de clínicas privadas.
O Partido Popular (conservador) já pediu a suspensão da lei, alegando inconstitucionalidade: o “aborto livre” seria contra o direito à vida, previsto na constituição espanhola. Mas o governo já se pronunciou, alegando estar convencido da norma.
Um passo importante...
A aprovação dessa lei na Espanha é uma grande conquista do movimento feminista, e quem ganha com isso é a classe trabalhadora -e a sociedade- como um todo.
Para nós, brasileiras, é também um alento perceber que o número de governos que se rendem à nossa reivindicação histórica está crescendo, independente das pressões da direita reacionária e da hipócrita igreja católica.
No meio disso tudo, o Brasil continua conservador e estagnado, pois não apresenta qualquer projeto de lei nem dá indícios de que pretenda iniciar alguma discussão a respeito. Zâmbia e Paquistão, países de pouca expressão internacional e que, quando conseguem alguma, é pelo lado negativo, estão mais avançados nesse sentido do que nós. Enquanto isso, Lula pleiteia vaga na ONU...
...numa longa caminhada!
A legalização e descriminalização do aborto é apenas um dos pontos -ainda que fundamental- numa extensa pauta de reivindicações das mulheres. As desigualdades salariais (recentemente motivo de protestos na Suécia) e a violência física e moral que sofremos precisam terminar.
Destaque aqui para a Lei Maria da Penha, que não conseguiu sequer amedrontar os agressores. Assassinos e estupradores seguem agindo, e precisamos nos mobilizar contra isso. As mudanças -e as próprias leis, ainda que insuficientes- só virão para responder às nossas lutas.
Não são apenas as mulheres que ganham com isso: os homens e a sociedade como um todo se beneficiam, conquistando um meio mais saudável e seguro para si e seus filhos, com maior qualidade de vida e condições de desfrutar do que o capitalismo criou, mas não nos oferece!
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