Vídeo racista provoca revolta em universidade na África do Sul
Um vídeo que exibe universitários brancos da África do sul dando uma sopa com urina a funcionários de idade que trabalham na limpeza da University of the State, tem causado forte sentimento de indignação em todo país. As aulas foram suspensas e os alunos e funcionários protestaram, dia 27, última quarta feira contra mais esse absurdo caso de racismo, exigindo a punição dos racistas.
O vídeo mostra um estudante universitário urinando em um recipiente que contêm sopa, dentro de um banheiro da universidade. A University of the State é uma instituição de ensino estabelecida em uma região agrícola do país, marcada pelo conservadorismo, e dirigida politicamente pelos afrikaners, sul-africanos de descendência holandesa. Este é o ingrediente final, diz o jovem antes de aquecer a sopa em um Microondas e a dar a três trabalhadoras e um trabalhador. O vídeo, filmado no ano passado, levou estudantes brancos e negros protestarem no campus da universidade, carregando cartazes com a seguinte frase: “pare com essa arrogância branca”. A polícia fascista sul-africana utilizou granadas de efeito moral para reprimir a multidão de manifestantes, prendendo 5 estudantes.
O vídeo é uma represália de uma minoria branca e rica, que ainda controla o país, ao fim legal do regime de apartheid entre os brancos e os negros e à perda de alguns privilégios
Apartheid uma história de opressão e exploração
O regime de apartheid, de segregação racial foi implementado na África do Sul em 1948, com o objetivo de explorar ainda mais o povo negro, quase 70% da população do país. A ideologia racista e fascista de uma superioridade branca ganhou força de lei, proibindo direitos mais elementares aos negros como o direito de ir e vir. O país foi dividido em territórios e as grandes metrópoles com maior desenvolvimento industrial e riqueza pertenciam aos brancos, onde os negros só podiam trabalham se obtivessem um passe. Esses negros sequer podiam levar suas famílias, sendo obrigados a abandonar companheiros (as) e crianças. A polícia vasculhava as áreas sob domínio da minoria branca,e caso fosse encontrado um negro sem passe esse seria imediatamente preso e condenado.
O regime de apartheid era uma ferramenta social, política e coerciva de exploração e opressão de uma burguesia branca frente a uma classe trabalhadora basicamente composta por ampla maioria de negros. As piores terras ficavam com os negros, as melhores eram destinadas aos burgueses agrários brancos. Hospitais, escolas e bibliotecas quando existiam para os negros, eram de infinita precariedade em relação aos destinados aos brancos. Os postos de emprego ocupados por negros eram remunerados de maneira inferior se comparados aos postos de trabalho ocupado por trabalhadores brancos.
Oprimir para explorar ainda mais, extrair mais valia dos trabalhadores negros e com isso lucrar cada vez mais, esse era o verdadeiro motivo do Apartheid na África do Sul. A burguesia sul africana, brasileira, norte americana, etc., utiliza-se do racismo que surgiu bem antes do capitalismo para lucrar ainda mais e tentar sair do buraco. Afirmamos, como já percebeu o ativista do movimento negro norte-americano Malcon X, na década de 60, “não há capitalismo sem racismo”, por isso é preciso derrotar o sistema capitalista para acabar com o racismo.
Apesar do apartheid ter terminado oficialmente em 1994, com a eleição de Nelson Mandela a presidência da África do Sul o racismo e a exploração ainda perduram. Os verdadeiros responsáveis pelo fim do apartheid são os trabalhadores e o conjunto dos explorados negros da África do Sul e suas mais de quatro décadas de lutas,mortes e prisões. Mandela, e seu partido, que ocuparam já papel de destaque nessa luta trocaram de lado transformando-se em gestores dos negócios da burguesia branca do país, enganando os negros para que pouca coisa mude de fato no país.
Esse caso de racismo promovido por estudantes universitários brancos é apenas um de muitos outros casos, que só iram acabar com a queda do capitalismo na África do Sul e em todo o mundo e a construção de uma nova sociedade, uma sociedade socialista. O que os trabalhadores da África do Sul precisam é de um grande MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO.
Não há capitalismo sem racismo
Por um grande MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO na África do Sul