Publicado em 31/07/2010

Legalização do casamento gay na Argentina

demonstra perda da influência da Igreja

         A lei foi aprovada com 33 votos a favor, 27 contra e 3 abstenções, depois de uma sessão no Senado que durou mais de 13 horas. Promulgada pela presidente Cristina Kirchner em 21 de julho, a medida também sanciona a adoção de crianças por casais homossexuais.

        Assim, a Argentina se converte no primeiro país da América Latina a autorizar esse tipo de união em nível nacional e o décimo no mundo, depois da Holanda, Bélgica, Espanha, Canadá, África do Sul, Noruega, Suécia, Portugal e Islândia.

        Apesar da aprovação, vários juízes de paz do país anteciparam que se negarão a oficializar enlaces entre homossexuais.

        A igreja católica e outros grupos religiosos foram os principais opositores da lei, promovendo atos de protesto pelo país para tentar impedir a sua aprovação. "Não sejamos ingênuos: esta não é só uma luta política, é uma estratégia para destruir o plano de Deus", disse o cardeal arcebispo de Buenos Aires, Jorge Bergoglio, numa carta aos parlamentares antes da votação.

        Que plano de Deus? Essa argumentação é tão absurda que fica difícil de contestar. Os clérigos utilizam-se das supostas “palavras de Deus” para esconderem sua falta de explicações lógicas e disfarçarem a real moral que defendem: uma moral reacionária, preconceituosa e hipócrita!

        O seu fracasso na tentativa de barrar a lei demonstra a sua perda de espaço em um país onde sempre foi extremamente forte. A Argentina segue os passos de outros países também predominantemente católicos, como Espanha, Portugal e Itália, onde pouco a pouco a Igreja vem perdendo espaço (nesses lugares, principalmente no que se refere à questão do aborto).

        Contribuem para isso os nem tão recentes, e muito numerosos, escândalos de pedofilia -em todas as partes do mundo- e a própria colaboração católica com a sanguinária ditadura militar nesse país.

        O governo de Cristina promove uma mudança significativa e progressiva no que diz respeito aos direitos e liberdades homossexuais e, consequentemente, para a sociedade como um todo. Tenta não apenas reverter seus baixos índices de popularidade, como aproximar o movimento através da ratificação de uma reivindicação histórica.

 

 

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