Publicada em 28/05/2008

Só no último ano,
quase 3 mil mortes motivadas por homofobia no Brasil!

 

Na semana do dia 17 de maio -Dia Mundial de Luta contra a Homofobia-, a Conferência Paranaense de Direitos Humanos e Políticas Públicas de Gays, Bissexuais, Lésbicas, Travestis e Transexuais (GBLT) apresentou dados bastante preocupantes: no último ano, quase 3 mil homossexuais foram mortos, tendo como motivo para sua morte, sua orientação sexual.

Se somarmos esse dado ao divulgado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura, de que 40% dos adolescentes não gostariam de dividir a sala de aula com homossexuais e 60% dos professores não saberiam lidar com um aluno homossexual, percebemos o quanto a homofobia é forte, e até mesmo violenta, apesar de alguns avanços nas leis de proteção aos homossexuais.

Importante constatar que, apesar da violência e preconceito constantemente vivenciados pelos homossexuais, as Paradas GLBT -que ocorrem todos os anos, nas mais diversas partes do mundo- dificilmente adquirem um conteúdo de luta e protesto. Em geral, são manifestações festivas que não pautam reivindicações do setor -como o direito à união civil e à adoção-.

De acordo com Alexandre Santos, presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT-SP), o objetivo esse ano é outro é que a parada seja política.

Marcada para acontecer no domingo -25/05-, na Avenida Paulista, esperamos que essa mudança no conteúdo das paradas, de fato, ocorra, e que não seja algo restrito à manifestação de São Paulo, e sim uma prática comum entre todo o setor que reivindica a causa GLBT e participa das manifestações.

Apoiamos a causa GLBT, com seu direito à livre expressão de afetividade, de estabelecer união civil, de conduzir um processo de adoção e poder constituir relações de paternidade e defendemos punição aos homofóbicos.

O preconceito e o desrespeito contra os homossexuais, hoje, pode ser “exercido” sem qualquer constrangimento, pois, ao contrário do racismo, por exemplo, a homofobia não é crime. Entretanto, esse é um bom exemplo para que vejamos qual é, de fato, a efetividade das leis.

Quantos não são os casos de racismo e de violência praticada com esse intuito, e nada acontece com os agressores? Casos em que o preconceito e a humilhação sofrida são relativizados, questionando-se se existiram de fato ou se não são obra da imaginação de alguém, que essa não teria sido a intenção do agressor, e por aí vai. Ou seja, diversas situações em que a vítima vira agressora e acaba tendo de se defender e se explicar por algo do qual não tem culpa.

Assim, as leis produzidas pelo Estado capitalista não tem como resolver problemas e situações produzidas por ele mesmo. É um Estado que se assenta sobre o preconceito, a exploração e a divisão da classe trabalhadora. Para, de fato, acabarmos com a violência e a discriminação sofrida não somente devido à orientação sexual, mas também devido a gênero e raça, temos de acabar com o capitalismo e sua essência de exploração.

 

 

 

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