Publicado em 03/08/2010

Procedimentos médicos decorrentes do aborto são as cirurgias mais realizadas pelo SUS

O InCor, instituto do coração da universidade de São Paulo, em recente pesquisa, nos remete dados fundamentas sobre a saúde da mulher e a luta pela legalização do aborto.

A pesquisa analisou entre 1995 e 2007, 32 milhões de procedimentos cirúrgicos, considerados de nível médio a grave, realizados pelo SUS.

Entre os dados fornecidos pelo Ministério da Saúde, foram analisados 1.568 tipos de procedimentos médicos, excluindo-se cirurgias cardíacas e partos.

O resultado é assustador: de todos os mais de mil procedimentos que a saúde pública atendeu a curetagem após o aborto está no topo da lista com 3,1 milhões de casos atendidos. Nas sucessivas colocações ficou correção de hérnia 1,8 milhões; retirada da vesícula 1,2 milhões; plástica na vagina e períneo 1,1 milhões; e retirada do apêndice com 923 mil.

Estes dados só comprovam uma realidade que cada vez está mais escancarada

Segundo dados do Ministério da Saúde a estimativa total de casos de aborto no Brasil está na faixa entre 729 mil a 1,25 milhões abortos por ano no país. Deste número total, no mínimo 250 mil mulheres morrem a cada ano por decorrência de abortos feitos sem as mínimas condições, como introdução de objetos pela vagina para ferir o feto, ou remédios ilegais. E cerca de 1/3 das mulheres que provocam o aborto procuram assistência médico hospitalar por causa dos mal procedidos usados.

Como se comprova o aborto hoje, mesmo sendo crime, é um fato recorrente na sociedade hipócrita em que vivemos.

Aborto: questão de saúde, questão de classe

Cada vez mais o aborto além de ser uma demanda política, que busca uma autodeterminação da mulher em decidir do momento certo de ter seus filhos, principalmente é uma questão de saúde. Tornando-se uma questão de classe também, já que as mulheres pobres são submetidas às piores clinicas clandestina, sem nenhuma condição de atendimento, enquanto as mulheres ricas podem gastar com clinicas, mesmo que ilegais, com melhores condições.

Mas a relação com o aborto vai além das clinicas, ela passa desde a informação e as condições de uso dos contraceptivos, incluindo a instrução para evitar a gravidez indesejada. Assim novamente as mulheres pobres saem prejudicadas.

Cruzando informações cedidas pelo Ministério da Saúde a região sul, mais rica, em 2005, atendeu no SUS 22751 casos de mulheres que haviam feito aborto. Enquanto na região nordeste, muito mais pauperizada, 87911 casos de internação em hospitais públicos. Isto só demonstra que quanto maior a pobreza das regiões, maior é o número de mulheres que acaba recorrendo ao aborto. Lembrando que todos esses dados são os divulgados, de mulheres que chegaram a procurar o atendimento médico. Porém cada mulher que busca essa ajuda tem que lutar contra inúmeras barreiras impostas pelo machismo preconceituoso, restando para inúmeras mulheres que não fazem parte dessas estatísticas a dor, a mutilação e em milhares de casos a morte.

Está cada vez mais na ordem do dia lutar pela legalização do aborto. Mas conjuntamente lutar por melhorias no SUS e por uma maior distribuição de métodos contraceptivos para as mulheres, bem com uma melhor orientação das mulheres trabalhadores.

Esse é o dever de todo trabalhador e trabalhadora. Lutar contra o governo de Lula que leva em consideração o pensamento retrógrado da Igreja, menosprezando todas as milhares de mulheres que morrem a cada ano decorrente de abortos mal feitos.

 

 

 

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