Publicado em 20/10/2010

XXV Encontro Nacional de Mulheres da Argentina

9, 10 e 11 de outubro.

Desde 1986 acontece na Argentina o Encontro Nacional de Mulheres e o Movimento Revolucionário esteve presente em sua 25ª edição.

No encontro aconteceram vários debates em 55 oficinas, e contou com a participação de aproximadamente 25.000 mulheres. As oficinas contaram com as seguintes temáticas: Mulher estratégia para o acesso ao aborto legal, seguro e gratuito; direito sexual e reprodutivo; sexualidade; feminismo; lesbianismo; ativismo lésbico; família; saúde mental; aids e doenças sexualmente transmissíveis; luta contra a drogadição; violência sexual, física e mental; a mulher e as crianças; tráfico de mulheres para a prostituição; desemprego; mulheres e a organização sindical; acesso a terra; moradia e serviços; e outras temáticas.

O encontro é policlassista, onde as participantes são das mais diferentes organizações, correntes, partidos e movimentos sociais; desde correntes da igreja católica, até os partidos revolucionários, passando por mulheres que defendem o governo de Cristina Kirchner.

A dinâmica do debate é permitir que as mulheres de diferentes classes sociais, categorias profissionais, etnias, credos e orientações sexuais possam se expressar de forma aberta, democrática e participativa, sendo que as resoluções só ocorrem por consenso. Nesse sentido as organizadoras do Encontro acreditam que através da troca de experiências, entre as mulheres de vários lugares do país, permitiriam  que as mulheres pudessem encaminhar a  luta contra opressão.

        Porém a dinâmica de manter o consenso é falacioso, oportunista, e não contribui para o avanço da luta da mulher contra a exploração capitalista e contra a opressão machista a que estão submetidas. O consenso, foi quebrado pelo defesa dos programas defendidos pelas mulheres presentes. Mesmo o gênero nos unindo, o programa que cada organização defende, sendo programas genuinamente burguês, como é  caso das mulheres da igreja católica, e das mulheres ligadas ao governo de Kirchnes;  a classe social nos divide.

O encontro foi dividido em duas majoritárias posições as organizações de mulheres que defendem o direito de decidir sobre seus corpos, com a defesa de  descriminalização e legalização do aborto público e gratuíto, educação sexual nas escolas, métodos contraceptivos fornecido gratuitamente pelo Ministério da Saúde.  E o conservadorismo de direita imposto pela governo e Igreja de não permitir a legalização e descriminalização do aborto, nem permitir o fornecimento de métodos contraceptivos pelo sistema de saúde,  gerando conflitos de classe entre as mulheres.

O programa defendido pela mulher trabalhadora é antagônico ao defendido pela mulher burguesa, e suas agentes, pois vivem realidades diferentes. As mulheres burguesas tem acesso a saúde, educação, moradia, lazer, cultura, aborto em clínicas de qualidade,  enquanto que a mulher trabalhadora não tem acesso a uma vida digna, emprego, nem tampouco a  um aborto legal, seguro e gratuito, sendo explorada duplamente, sem acesso a creches públicas e gratuitas para seus filhos, sem acesso a saúde de qualidade, moradia e lazer.

Tanto a mulher que defente a Igreja, quanto a mulher que defende o governo, por não se manifestar contra essas instituições que servem para continuar a exploração da sociedade, e a superexploração da mulher, defende a continuidade da sociedade capitalista tão nefasta para os trabalhadores e trabalhadoras.

O governo de Frente Poupular de Cristina Krichener, a Igreja, e os partidos base de apoio do governo constituem uma aliança para impedir que se avance na luta contra exploração e opressão das mulheres, contribuindo para aumentar os índices de mulheres mortas por abortos precários em clínicas clandestinas, que hoje corresponde a 700.000 mulheres morta anualmente. O governo de Cristina, mesmo sendo de uma mulher, representa a Burguesia Argentina que lucra com a clandestinidade do aborto, com a superexploração das mulheres, com o desemprego e a miséria em que estão submetidas.

        No entanto este Encontro só seria útil se a partir dele se constituisse um Bloco Classista de mulheres trabalhadoras contra o governo da burguesia  de Cristina/Igreja,  com programa classista definindo um plano de lutas, com mobilizações de ruas, atos, ocupações, greves  para enfrentar e derrotar este governo inimigo das mulheres e da classe trabalhadora como um todo, e que estas mobilizações apontasse a perspectiva da sociedade socialista.

        Hoje a conjuntura da Argentina é extremamente favorável a conquista de direitos civis para os setores mais oprimidos. Acabou de se tornar legal o casamento gay. As mulheres organizadas contra o governo de Cristina Kirchner, devem lutar para impôr a legalização do aborto com um grande luta. O que represetaria uma grande vitória das mulheres no páis.

As mulheres e os homens trabalhadores só deixarão de ser explorados, se acabarmos com a sociedade capitalista, que impõem a classe a superexploração, o desemprego, a falta de saúde, moradia, educação de qualidade, isto é que os trabalhadore tenham uma vida digna, somente a sociedade socialista onde os trabalhadores ocupam o poder distribuem a riqueza, através da desapropriação da burguesia, se apropriam do poder político e governem para a classe trabalhadora é possível termos vida digna da Argentina, Brasil e no mundo. A luta pela socialismo é a verdadeira luta pela emancipação da mulher.

 

 

  • Educação sexual nas escolas;
  • Contraceptivos fornecidos gratuítamente pelo Sistema de Saúde;
  • Legalização e descriminalização do aborto para evitar mais mortes de mulheres;
  • Creches  para os filhos da classe trabalhadora;
  • 6 seis meses de licença maternidade;
  • Salário Igual para trabalho igual;
  • Mais verbas para Educação e Saúde Pública;
  • Plano de Lutas unificado com 35% de aumento salarial;
  • Fim do desemprego;
  • Igualdade de direitos e representação entre mulheres e homens em sindicatos e instituições;
  • Pelo reconhecimento que o tráfico de pessoas é crime contra a humanidade;
  • Pela liberdade de Romina Tejerina;
  • Prisão aos estrupadores e agressores;
  • Abrigos públicos para as vítimas de violência com assistência médica e psicológica;
  • Contra a qualquer forma de violência a mulher! Chega de femicídio, abuso e estrupro!
  • Separação da igreja e estado;
  • Fim de verbas públicas para escolas privadas, clinicas e universidades da igreja.

 

 

 

 




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