Publicado em 04/07/2010

Escravidão sexual: ONU divulga que Europa tem 140 mil “escravas sexuais”

        Segundo um chocante e terrível anúncio feito pela própria Organização das Nações Unidas (ONU), braço político do capitalismo imperialista, e que costuma tentar amenizar a gravidade dos problemas desse sistema, há 140 mil mulheres presas, drogadas e estupradas como escravas sexuais somente na Europa ocidental, como se refere o estudo, área que corresponderia à pequena região compreendida entre os países mais ricos do continente, como Inglaterra, França, Itália e Alemanha, por exemplo.

        Haveria, conjuntamente com esse dado estarrecedor, cerca de 70 mil mulheres vítimas de tráfico sexual para a chamada Europa ocidental. Um número estabelecido todos os anos, conforme um relatório da UNODC (agência da ONU para Drogas e Crime)!

        De acordo com o documento “O Tráfico de Pessoas para a Europa para Exploração Sexual”, haveria atualmente cerca de 140 mil mulheres obrigadas a trabalhar no mercado do sexo na região, numa vertente de prostituição ainda mais violenta e escrava.

        Além da degradação à autoestima, aos direitos mais básicos e ao conjunto do corpo e da mente dessas mulheres, proveniente da prostituição em massa, há esta quantidade expressiva de prostituição duplamente forçada, com cárcere privado e sequestro de mulheres, que vivem, literalmente, como escravas.

        Podemos dizer que qualquer prostituição é forçada, à medida em que ocorre pela falta de empregos e de salários dignos. Mas, neste caso, a violência é ainda mais acintosa, pois são milhares de mulheres que desaparecem de suas casas, de seus bairros e de seus empregos, sendo levadas a locais clandestinos em grandes cidades europeias, onde são abusadas sistematicamente.

A barbárie capitalista a serviço de seus grandes negócios

        A ONU avalia que as 140 mil mulheres traficadas façam ao todo cerca de 50 milhões de programas anuais, a um custo médio de 50 euros por cliente (cerca de R$ 109), movimentando um total de 2,5 bilhões de euros (R$ 5,47 bilhões).

        Essas cifras são impressionantes, mas podem ser ainda muito maiores. Num simples e macabro cálculo de tomar estas 140 mil mulheres multiplicado pelos 365 dias do ano, chegaríamos a 51 milhões de programas (1 milhão a mais que o calculado pela ONU) apenas na hipótese de uma única relação por mulher, ao dia. Considerando que estas mulheres foram raptadas para serem exploradas sexualmente, seria razoável supor que tenham mais de um abuso por dia, assim como não possuem férias, folga, nem nada do tipo. O resultado final, portanto, pode ultrapassar a casa dos 10 bilhões de euros, apenas referente ao faturamento com a prostituição baseada em escravidão!

        Essa matemática do absurdo expõe apenas uma pequena parte da exploração a que são submetidas as mulheres em todo o mundo, em uma de suas faces mais cruéis. Se fôssemos calcular o lucro dos burgueses com o machismo e a opressão feminina, incluindo a prostituição, o trabalho doméstico não pago, os salários mais baixos para os mesmos serviços, etc., centenas de trilhões de dólares não seriam suficientes para descrever tal número fantástico de riqueza extraída de quase 3 bilhões de indivíduos mundialmente.

Não há saída para a humanidade sem o fim do capitalismo. O fim da prostituição, da miséria e da exploração só pode vir com a revolução socialista!

        O relatório da ONU foi divulgado na Espanha pelo diretor-executivo da UNODC, Antonio Maria Costa, para coincidir com o lançamento da campanha internacional “Coração Azul” de combate ao problema.

        “Os europeus acreditam que a escravidão foi abolida há centenas de anos. Mas olhem em volta – os escravos estão em nosso entorno. Precisamos fazer mais para reduzir a demanda por produtos feitos por escravos e por meio da exploração”, afirmou Costa.

        Embora Costa tenha razão sobre a reflexão que faz, as propostas que sua agência interna à ONU propaga, sob a tal campanha “Coração Azul”, é uma utopia completa e reacionária, pois alimenta ilusões de que se possa combater a escravidão sexual por meio de conscientização ou ação individual de “consumo e atitudes éticas”, sem mudar ou atacar suas causas econômicas.

        Este projeto, como tantos outros de ONGs e governos capitalistas tenta combater os “excessos” da exploração, neste caso a grande rede de tráfico de mulheres internacional. O problema, para estes dirigentes burgueses humanistas, portanto, não seria a miséria ou exploração feminina, e a prostituição em massa decorrente disso. O “revoltante” seria a extrapolação disso.

        Quanto ao relatório da ONU, ele apresenta uma realidade que, além dos dados que explicitam a decadência e podridão do capitalismo, demonstram o verdadeiro efeito da restauração capitalista, em especial no Leste Europeu.

        A região dos Bálcãs, formada pelas repúblicas que antes compunham a ex-Iugoslávia é a principal origem das mulheres traficadas para a Europa Ocidental (32% do total), seguida dos países do ex-bloco soviético (19%). Apenas com estas duas áreas, temos mais da metade das vítimas da escravidão sexual. Somando-se aos demais países que tiveram encerradas suas experiências de Estados operários e que hoje afundam dentro do capitalismo, podemos concluir que a privatização e destruição do modelo operário, mesmo burocratizado, representou um dos maiores desastres sociais da História.

        Além das regiões aceleradamente empobrecidas pelo capitalismo, outra área de grande crescimento da prostituição, e fonte de mulheres escravizadas, é a América do Sul, que representa 13% do total.

        A maioria das vítimas brasileiras de tráfico sexual para a Europa, por exemplo, são originárias de regiões pobres no norte do país, principalmente nos estados do Amazonas, do Pará, de Roraima e do Amapá. Na Argentina, há um negócio altamente lucrativo envolvendo o sequestro e exploração de meninas e mulheres das periferias, tanto para destinos locais como para a Europa.

        O relatório aponta que as vítimas sul-americanas (principalmente do Brasil e do Paraguai) são traficadas principalmente para Espanha, Itália, Portugal, França, Holanda, Alemanha, Áustria e Suíça.

        Em Portugal, dados do governo local divulgados na semana passada indicam que as brasileiras são 40% das mulheres traficadas no país. Na Espanha, segundo os dados da ONU, o número de vítimas brasileiras e paraguaias ultrapassou desde 2003 o de vítimas colombianas, antes majoritárias no país.

        A disseminação desta forma degradante de sobrevivência, que é a prostituição, em que as pessoas tem que submeter-se a violações de seu próprio corpo e negação quanto à liberdade de sua sexualidade, é uma das maiores chagas do capitalismo, o que coloca como urgente a luta pela tomada do poder pelos trabalhadores, para o fim desta realidade vergonhosa e humilhante.

        O tráfico de mulheres e a escravidão sexual são um salto qualitativo nesta degeneração completa, em que seres humanos são convertidos em coisas, sem nenhum direito, respeito, prazer ou felicidade, convertendo suas vidas numa tortura, da qual suas lembranças nunca se livrarão.

        Devemos lutar pelo fim de qualquer tipo de exploração, em especial contra as mulheres e crianças, mais vulneráveis e oprimidas no capitalismo.

        Esta luta, porém, para que tenha sucesso, obrigatoriamente tem que ser parte de uma luta maior, para expropriar os bens e punir os aliciadores de mulheres, os intermediários que permitem que elas sejam transportadas irregularmente, os policiais que cobram propina para garantir o negócio, os juízes e políticos que sustentam esta escravidão e os empresários que lucram desta maneira desprezível.

        O fim da prostituição e da escravidão sexual só virá com o fim de toda esta classe parasitária da burguesia e com a imposição de outra economia, sociedade e moral, baseadas na riqueza de todos e controle da maioria da população.

 

 

  

 

VOLTAR

 
Notícias Relacionadas

• Volkswagen e Porsche; Fiat e Chrysler; Renault e GM: Crise estimula fusões na indústria automobilística.

• Governo do Sri Lanka massacra população que luta por independência do Eelam Tamil!

•Fernando Lugo assume paternidade de criança de 2 anos e mostra que seja como presidente, seja como bispo, sempre agiu contra os explorados e oprimidos

• GM está próxima de pedir concordata! Obama exige que empresa se divida em duas: Uma falida, com as dívidas trabalhistas e financeiras, e outra com o lucro e o patrimônio da GM

• O leste europeu 20 anos depois da queda do muro: Geração pós-queda do muro de Berlim diz não ao capitalismo no Leste Europeu

• Crise põe PIB mundial em queda livre: Pela 1ª vez, economia mundial deve ter recessão anual

• Uruguai aprova o direito à eutanásia!