Exército norte-americano combate a homofobia? Não! Só quer reduzir custos
Recentemente, o secretário de defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, anunciou no Senado a criação de uma equipe de trabalho que vai estudar a possibilidade de anulação de uma lei que proíbe o ingresso de homossexuais nas Forças Armadas do país.
Essa discussão vem à tona dezesseis anos depois da criação da lei, que foi sancionada no começo do primeiro mandato do então presidente Bill Clinton, em 1993. Por ela, se permitiria o ingresso de homossexuais no exército americano, desde que não se assumissem publicamente.
Essa lei foi chamada de ‘‘don’t ask, don’t tell” (não pergunte, não fale), oficializando a homofobia, e deixando claro que, no caso de militares se assumirem homossexuais, seriam sumariamente expulsos da instituição.
Desde que entrou em vigor, mais de 12.500 soldados foram expulsos por se declararem homossexuais. Um estudo feito aponta que o governo americano já gastou mais de 500 milhões de dólares com o pagamento de indenizações para os militares expulsos.
Apesar das fortes manifestações do movimento GLBT contra essas leis homofóbicas, o que realmente levou Obama e sua equipe a repensar as expulsões, foi o alto gasto com indenizações. O que mostra que, mesmo mudando as leis de segregação do exército, os militares e Obama não deixaram de promover a opressão; mudaram somente por uma questão de custo.
Obama mais uma vez muda a forma, mas o conteúdo continua o mesmo
O presidente Barack Obama declarou em seu discurso sobre o Estado da União que “espera trabalhar junto com o Congresso e com o exército para abolir a lei que nega aos homossexuais o direito de servir a seu país”. Obama, assim, apela mais uma vez para suas palavras bonitas e patrióticas, e seu sorriso simpático, para acalmar os ânimos dos trabalhadores que o olham com muita desconfiança.
Sua popularidade no mundo todo caiu vertiginosamente, e cada vez mais há a convicção de que seu governo é apenas a continuidade do governo Bush, só que com um discurso mais ameno.
Essa lei está sendo revista após tantos anos em que milhares de homossexuais serviram no exército, e muitas vezes perderem a vida sob combate em tantas guerras que não foram suas, e sim dos burgueses imperialistas.
No Iraque e Afeganistão, ainda hoje muitos militares homossexuais são usados para agredir outro povo, correndo o risco de serem mortos, em nome de um governo que não os reconhece. Obama, apesar de muito prometer, não acabou com essas guerras, e ainda está aumentando o número de militares para continuar matando e sendo mortos.
O fim das guerras, a imediata revogação da lei homofóbica e a reintegração ou indenização de todos os punidos por expressarem sua orientação sexual é uma necessidade urgente, e é isso que Obama precisaria fazer.
É impossível acabar com as opressões no sistema capitalista
No sistema capitalista, ser homossexual significa, em muitos casos, ser humilhado, espancado e morto! Os trabalhadores homossexuais vivem em uma sociedade que os oprime a tal ponto que são obrigados a negar o que são realmente, porque, se admitem sua orientação sexual, correm o risco de ser demitidos, como mínimo.
Todos os direitos dos heterossexuais devem ser estendidos aos GLBTT. Não só o direito de ingressarem nas Forças Armadas, mas também o direito ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, à adoção de filhos, etc. E a luta contra toda forma de opressão só será obtida através de um movimento GLBTT classista.
Nesse momento, o movimento GLBTT, em sua maioria, é dirigido por governistas e ONGs, que só querem obter lucro. Isso fica evidente durante as paradas do orgulho gay, em que as mesmas empresas que exploram esse “mercado consumidor” com suas boates, casas de espetáculos e salões de beleza, por exemplo, são quem patrocinam a “festa” e, dessa forma, despolitizam o conteúdo das manifestações, as transformando em mais um balcão de negócios altamente lucrativo.
Acabar com todas as opressões no sistema capitalista é impossível, porque ele se utiliza das opressões, seja elas de gênero, raça ou orientação sexual, para melhor explorar os trabalhadores e extrair uma mais-valia cada vez maior desses setores. Além disso, o preconceito serve para dividir nossa classe, confundindo assim os verdadeiros inimigos, que são todos os burgueses e seus aliados, e jogando os trabalhadores uns contra os outros.
Então, para acabar com a homofobia, o racismo e o machismo, só mesmo derrotando o sistema capitalista como um todo, e colocando todo o poder nas mãos dos trabalhadores, para construírem uma nova sociedade sem opressões, sem exploração e com direitos iguais para todos: uma sociedade socialista.
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