Protesto Contra o Racismo nos EUA
Leva 60.000 as Ruas na Cidade de Jena.
60.000 pessoas, entre negros e brancos, se uniram nesta quinta-feira (20 de setembro) na cidade de Jena, em Louisiana (localizada no sul dos Estados Unidos), para protestar contra a decisão da Justiça norte americana que ordenou a prisão de seis adolescentes negros. O grupo gritou palavras de ordem por direitos humanos e contra o racismo. A cidade de Jena tem menos de 3.000 habitantes, sendo que mais de 85% são brancos e 12% de seus moradores são negros, de acordo com o Censo de Estados Unidos.
O conflito estourou quando os estudantes negros tentaram cruzar uma "linha racial" invisível e se sentaram no "setor branco" do pátio da escola no inicio do ano. Poucos dias depois, os estudantes brancos amarram duas cordas para enforcamento em uma árvore da escola.
Um funcionário da escola recomendou a expulsão de três estudantes brancos que amarraram as cordas, mas o superintendente escolar (que nos EUA é quem tem o poder para expulsar alunos), que é branco, negou o pedido do diretor e protegeu os alunos brancos. A partir deste momento a ira e a violência inter-racial se intensificaram. Segundo Roy Breithaupt, diretor da escola que puniu os estudantes brancos com apenas três dias de suspensão, os "Adolescentes pregam peças", desconsiderando que o ato "fosse uma ameaça contra alguém".
Após a decisão e as declarações do diretor, a tensão explodiu na escola rapidamente. Uma ala central do colégio foi incendiada em novembro. Em seguida, um estudante negro foi surrado ao chegar a uma festa, onde todos os convidados eram brancos. Pouco depois, um jovem branco ameaçou atirar contra três adolescentes negros numa loja. Em dezembro, um grupo de 6 alunos negros agrediu o estudante branco Justin Barker.
Acusados, entre outras coisas, de tentativa de homicídio, os seis jovens negros poderão ser condenados a penas de até 100 anos de prisão. Destino diferente dos brancos: o adolescente que agrediu o negro na festa foi acusado apenas de agressão, enquanto que contra o que sacou a pistola para ameaçar o outro negro, não foram apresentadas acusações.
Mychal Bell, de 17 anos, o primeiro dos 6 estudantes negros a ser julgado, foi condenado por um júri formado unicamente por brancos, que discutiu por menos de três horas em junho, e o declarou culpado por unanimidade por ter causado lesões graves de segundo grau e por conspiração para cometer tal delito, com uma sentença máxima de 22 anos de prisão.
Não é só em Jena que o Racismo é Geral,
Mas ele está presente no Capitalismo.
"Não há nenhuma dúvida: os brancos e os negros são tratados de formas diferentes aqui", acusa Melvin Worthington, o único negro membro do conselho administrativo do colégio de Jena, afirmando que a violência poderia ter sido evitada se os três estudantes que penduraram a forca na árvore tivessem sido punidos severamente.
Segundo a associação Urban League, o racismo é um problema de todos os estados norte-americanos. Quando detidos, os negros têm três vezes mais chances de serem presos: 24,4% dos negros detidos em 2005 nos Estados Unidos acabaram na prisão contra 8,3% dos brancos.
Suas sentenças são, em média, 15% mais longas que as dos brancos pelos mesmos crimes ou delitos. A maior disparidade se observa nas agressões com agravantes: em média, os negros passam quatro anos na prisão, enquanto os brancos ficam três anos presos.
Em outras partes do mundo não é diferente: Casos de violência relacionados ao racismo aumentam na União Européia, segundo o informe da agência européia dos direitos fundamentais.
Nos 11 Estados europeus que dispõem de dados oficiais, a agência observou uma tendência crescente de delitos relacionados ao racismo entre 2000 e 2006. É o caso de França, Alemanha, Dinamarca, Irlanda, Polônia, Finlândia e Reino Unido.
"A violência racista e o crime continuam sendo uma séria praga social na Europa", afirma o texto. O estudo também classifica como preocupantes sinais de violência praticada pela polícia e pelas forças de segurança contra imigrantes ou refugiados.
No Brasil o racismo se repete: dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revelam que dos 22 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza extrema ou indigência, 70% são negros. Entre os 53 milhões de pobres do país, 63% são negros. Enquanto a renda per capita média dos negros era de R$ 162,84 em 2000, a dos brancos atingia R$ 406,77.
Para acabar com o racismo é preciso Acabar com o Capitalismo
O líder negro norte-americano Malcolm X costumava dizer que não há capitalismo sem racismo e, consequentemente, lutar contra um significa dar uma batalha sem tréguas contra outro.
A opressão de raça serve para que a burguesia explore um setor da sociedade mais do que o outro. Os negros ganham menos e estão localizados nos piores postos de trabalho e com as piores condições. Além de servir para o patrão explorar mais a mão de obra, o racismo divide a própria classe trabalhadora. Tudo que a burguesia precisa é que os explorados não se unifiquem para, assim, poder derrotá-los, pois estarão divididos e fracos.
Mas não só a luta de Malcolm X se dá contra o racismo e o sistema econômico que o sustenta. Zumbi dos Palmares e todos os quilombolas que, ao se levantarem contra a escravidão, também lutavam contra o sistema político e econômico que a sustentava. Da mesma forma João Cândido, o "almirante negro" que, em 1910, para lutar contra o revoltante castigo da chibata dirigiu os canhões de seu navio contra a sede do governo nacional, demonstrando que a luta o racismo é uma luta que deve ser travada diretamente contra a classe burguesa e seu estado.
Esses exemplos deixam claro que a luta anti-racista é, e sempre será, uma luta contra o capitalismo. E por isso, é preciso que esta luta seja travada pelos trabalhadores negros aliança com todos os demais setores explorados, ou seja, com todos trabalhadores (brancos e negros), os estudantes, as mulheres, gays e lésbicas.
Não podemos seguir o caminho apontado pela direção majoritária do movimento negro distante hoje das lições deixadas por Zumbi, João Cândido e Malcolm X, e cada vez mais adaptada ao capitalismo, acomodada nos ministérios, governos, parlamento e os escritórios acarpetados dos setores empresarias em busca de "parcerias" no combate ao racismo.
Por mais do nunca reafirmamos, assim como Malcom X, que não há capitalismo sem racismo e, consequentemente, a destruição de um está diretamente ligada à destruição do outro.
Para lutar contra o Capitalismo e Racismo fazemos um chamado a todos os trabalhadores negros para que venham construir um grande Movimento Revolucionário, e juntos possamos derrotar o Capitalismo e o racismo e construir um novo mundo sem racismo ou qualquer forma de opressão aos trabalhadores, um sociedade Socialista!
- Liberdade para os 6 estudantes Negros de Jena Já!
- Prisão e confisco dos Bens dos Racistas.
- Abaixo o Racismo e o Capitalismo que o sustenta.
- Estatização do ensino privado. Que todas as vagas sejam públicas, e estejam sob o controle dos trabalhadores.
- Que os trabalhadores Negros julguem os crimes de racismo.
- Pelo direito de auto-organização dos negros para se defender dos racistas.
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