Publicada em 24/02/2008


Joana Maranhão: Mais uma vítima da Pedofilia no Capitalismo

Na primeira semana de fevereiro -08/02- a imprensa brasileira foi tomada por declarações da nadadora Joanna Maranhão. A atleta confessou ter sido vítima de constantes abusos sexuais desde os 9 anos de idade, pelo seu técnico na natação em Recife (PE).

Joanna, hoje com 20 anos, está sendo processada pelo ex-técnico, Eugênio Miranda, por essa acusação. Ele afirma que a denúncia é falsa. Sua defesa, no entanto, é uma demonstração de o quanto estupradores e criminosos sexuais costumam desprezar a capacidade de reação de suas vítimas. O técnico abusador não contava que outras duas ex-atletas também surgiriam para denunciá-lo.

Nós sabemos o quanto é difícil para mulheres vítimas de abuso exporem sua situação, ainda mais no caso de Joana, atleta consagrada. Joana, com seu gesto, demonstra uma coragem muito grande, de enfrentar mais uma vez a memória da agressão e a humilhação de ter sua vida discutida publicamente. Mas Joana não tem nada do que se envergonhar: é um exemplo de atleta e de mulher, que dá uma grande contribuição à luta pelo combate a exploração sexual e infantil.

Essa prática, de transformar a vítima em culpada pela agressão sofrida e o agressor em alguém que foi induzido a cometer o suposto crime, como quer fazer o ex-técnico de Joana, é bastante comum na sociedade em que vivemos. A sociedade capitalista, que se sustenta sobre a exploração dos trabalhadores e sobre a opressão de gênero, raça e orientação sexual precisa fazer essa inversão de papéis para camuflar o seu sistema judiciário falho.

Que final podemos esperar para esse caso de Joanna Maranhão? Como se trata de uma atleta olímpica, famosa e premiada, é possível que o criminoso seja penalizado.

No Rio Grande do Sul, mais uma vez, vêm da Igreja os estupradores:
Padre pedófilo pagava para manter relações sexuais meninas de 12 anos

Entretanto, que tipo de punição podemos esperar para o padre de Rio Grande (RS) que foi flagrado nessa semana (18/02) abusando de 2 menores de idade? As menores, que têm em torno de 12 anos, vinham mantendo relações com o religioso em troca de dinheiro, a convite do próprio padre.

Essas meninas, que, além de desconhecidas, são extremamente pobres, provavelmente serão esquecidas e ignoradas, enquanto que o padre sairá impune –com uma ajudinha da Igreja Católica, assim como a imensa maioria dos padres envolvidos em escândalos de pedofilia e abusos sexuais.

Nesse sentido, a defesa do Movimento Revolucionário é de que esses agressores sejam punidos, ou seja, presos imediatamente.

Ainda que acreditemos que o fim da pedofilia e dos crimes em geral não se dá com o simples isolamento desses indivíduos do convívio social, de imediato, algo precisa ser feito. (Leia a matéria sobre Capitalismo e Pedofilia. Clique Aqui)

As vítimas e a sociedade devem ter o direito de decidir o que fazer com esses agressores, sem deixá-los na dependência de uma justiça que aplica a pena de acordo com a raça e a classe do acusado.

 

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