Publicado em 17/01/2010

Apesar de conquistas em alguns países, a luta contra a homofobia, no mundo todo, deve continuar

 

Homossexuais portugueses celebram uma vitória parcial

  Os homossexuais portugueses comemoram uma vitória parcial em um país de maioria católica e conservadora. O parlamento português, dia 8 janeiro, aprovou, em primeira instância, uma lei que torna legal o casamento entre pessoas do mesmo sexo. A proposta foi garantida pelos partidos eleitoreiros de esquerda, mais ligados a entidades que defendem os direitos dos gays, que se viram obrigados a fazer votar esse projeto pela pressão popular que existe em torno desses direitos. Para que a lei entre em vigor, é necessário ainda que seja promulgada nos próximos 40 dias pelo presidente português, Aníbal Cavaco Silva, com direito a veto.

Mas mesmo com a proposta tendo sido aprovada, os parlamentares demonstram que não defendem os interesses básicos dos gays de forma consequente, já que todos ignoraram a questão do direito à adoção de crianças, um direito básico de qualquer casal, sendo homossexual ou não. Cavaco Silva, líder histórico do opositor Partido Social-Democrata, não quis se pronunciar sobre a lei, mas destacou diversas vezes que sua atenção está em "outros problemas do país", e que não fará nada "que provoque fraturas" na sociedade, em uma clara demonstração que é conivente com o preconceito que existe aos homossexuais.

Após a votação que garantiu essa conquista parcial, o primeiro-ministro português, José Sócrates, classificou esse dia como “um dia histórico” para Portugal no “combate à discriminação e à injustiça que existia na sociedade portuguesa”. Mas diz isso ignorando todos os homossexuais que sofrem preconceito e injustiça diariamente, inclusive chegando a serem espancados, que ainda estão longe de terem mudanças na suas vidas. Enquanto isso, aqueles que promovem a violência preconceituosa pagam suas penas como se fossem criminosos comuns, sem o agravante da opressão; isso se são condenados.

Portugal está se preparando para receber daqui a alguns meses a visita do papa Bento XVI, que declarou que a aprovação do casamento homossexual em Portugal é um “ataque às obras de Deus”.

 Primeiro casamento homossexual do Malaui termina em prisão

  Um casal de homossexuais do Malaui foi preso no último dia 18 sob a acusação de “indecência pública”, depois de terem se casado na primeira cerimônia religiosa entre pessoas do mesmo sexo no país.

Tiwonge Chimbalanga e Steven Monjeza se conheceram a nove meses em uma igreja no Malaui e já vivem juntos há mais de cinco meses. Eles decidiram oficializar a sua união com uma cerimônia religiosa simbólica. E poucos dias após o casamento, os dois foram presos. “Nós prendemos eles na noite passada na casa deles e os acusamos de indecência pública porque a prática é contra a lei", disse o porta-voz da polícia Davi Chingwalu.

O casal teve o seu pedido de liberdade sob fiança negado, e as autoridades do país africano alegaram que não concederam a fiança para os dois homens para conservar a sua integridade física, pois, segundo eles, a população local estava revoltada, e suas vidas correriam perigo se fossem soltos. Ao invés de garantir a proteção aos dois homens contra os ataques de homofóbicos, segundo esta versão absurda de "defesa" dos presos, apresentada pela justiça burguesa, se preferiu manter o isolamento do casal.

A homossexualidade é considerada ilegal no Malaui, que é um país muito conservador, e quem for considerado culpado pode pegar uma pena de até 14 anos de prisão. A polícia informou que os dois homens foram submetidos até mesmo a exames médicos para comprovar se eles mantinham relações sexuais ou não.

 

É impossível haver igualdade no capitalismo

  No sistema capitalista é assim: enquanto em alguns países os trabalhadores conseguem alguns avanços e conquistam seus direitos, em outros os trabalhadores sofrem com leis que mais parecem vindas direto da pré-história.

Ao mesmo tempo em que os trabalhadores de países como Portugal, Argentina e também no México comemoram mais uma conquista, outros tantos no mundo todo são presos, torturados e até mesmo mortos na tentativa de conseguirem os seus direitos.

Os burgueses no mundo todo se utilizam das opressões para explorar cada vez mais, e com isso lucrar às custas dos trabalhadores. Esse é o verdadeiro motivo pelo qual oprimem as minorias, sejam homossexuais, mulheres ou negros.

Dessa forma, fica claro que não há possibilidade do capitalismo se desenvolver uniformemente em todos os países. Em todos os seus aspectos, também acaba se refletindo nas leis dos países. Já que é impossível, no capitalismo, que todos tenham os mesmos direitos, quando se concede algo aos trabalhadores em um lugar, tem que necessariamente se tirar alguma coisa em outro, para os burgueses não saírem no prejuízo.

Por isso, não é possível acabar com a homofobia, racismo e com o machismo até o fim, sem acabar com o sistema capitalista como um todo. Uma sociedade igualitária só é possível sem a exploração dos trabalhadores, onde quem produz é quem controla as riquezas.

 

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