Assassinato de líder fascista da África do Sul: resquícios do apartheid são atingidos.
A África do Sul, sede da próxima Copa do Mundo, é sacudida por fatos ocorridos nas últimas semanas, referentes ao racismo, um tema tão presente como tabu no país. Fica claro que feridas que aparentemente já haviam cicatrizado estão longe de fechar.
No mais polêmico destes incidentes, o líder fascista Eugene Terreblanche foi assassinado em sua fazenda por dois homens negros que prestam serviços em suas terras.
Segundo as fontes oficiais, o que motivou os dois homens a matar Terreblanche foi a falta de pagamentos pelos serviços prestados. Ou seja, uma justa reação de quem era semiescravizado, por um homem que dizia abertamente que os negros são inferiores aos brancos, e os tratava assim.
Mas, apesar de uma ação assim também ser política, no sentido de reação a um criminoso racial, há a possibilidade de a motivação política do assassinato ter sido bem mais direta e ideológica.
Terreblanche foi um dos líderes do partido Movimento de Resistência Africâner (AWB) que por décadas governou a África do Sul num regime fascista, o apartheid, onde uma minoria branca (cerca de 10% da população do país) oprimia violentamente a grande maioria negra da população, cerca de 36 milhões de pessoas.
Esse partido, assim como a ideologia fascista do apartheid, pregava a superioridade dos brancos, justificando a brutal violência e discriminação sofrida pela maioria da população do país.
Punição aos racistas: prisão, expropriação e ataque aos "Terreblanches". Não à convivência "pacífica" com os nazistas.
Esse fato foi motivo de comoção entre os dois lados da sociedade do país.
De um lado, a maioria dos negros, e mais pobres, incluindo alguns trabalhadores brancos, que aplaudiram o feito dos dois indivíduos, que mataram um inimigo de classe e de raça, para a maioria. Alguém que representa as milhões de agressões, como estupros, espancamentos e assassinatos feitos por décadas no país, por parte de europeus colonizadores, como Terreblanche.
Do outro lado, uma minoria branca, mais rica, ultra-radical e racista, jura vingança aos negros, entoando o hino da África do Sul do período do apartheid, e hasteando a bandeira do AWB, que se assemelha muito com a suástica nazista. Este setor burguês exaltado chega a pregar a separação de parte da África do Sul, para constituir um Estado racista só de brancos, e está ameaçando com atentados durante a Copa do Mundo.
Os sentimentos completamente opostos em relação à morte do burguês racista mostra que ainda é preciso exterminar os fascistas e criminosos do apartheid. Não é possível haver paz enquanto gente como Terreblanche sigam vivos, organizados, armados e com suas propriedades.
Quando pessoas que viviam nos vilarejos ao redor de Terreblanche festejaram o feito dos dois destemidos indivíduos, principalmente por temerem o fanático fascista, elas estão apontando o caminho, tanto pelo que ele já havia feito contra os negros, quanto ainda poderia fazer.
Ao chamar os negros pobres para trabalhar em suas terras e não pagar, Terreblanche é um exemplo de que o racismo não é apenas um "preconcenito", e sim uma ideologia adequada à superexploração da parte negra da classe trabalhadora, ainda tratada como escrava em muitos locais. A morte do nazista Terreblanche deve inspirar outros negros e trabalhadores a punir os estupradores e chicoteadores de seus ancestrais, que até hoje vivem na riqueza e do trabalho alheio no país.
Com a queda do regime de segregação racial em 1990, o Movimento de Resistência Africâner ficou marginalizado, após as massivas mobilizações populares que o derrubou. Em 1994, sobe ao poder o Congresso Nacional Africano (CNA), de Nelson Mandela, partido que governa o país até os dias atuais.
Apesar de haver diversas conquistas ocasionadas pela queda do regime dos brancos, impostas pelas massas, o domínio da minoria branca continua; veladamente, mas permanece. Este é o resultado da política de Mandela, cultuada em Hollywood, como é mostrado no filme Invictus, mas cujo resultado prático foi a conciliação de classes e política com os criminosos do passado, que seguem soltos e ricos.
No apartheid, os brancos eram os donos das empresas, das terras, etc. Esta burguesia de um país semi-colonial, mesmo os brancos terem saído do poder formal, continua a mesma e está governando por meio do CNA, já que possuem o poder econômico do país. sso pelas conquistas do movimento pela derrubada do antigo regime.
Isso porque nunca se expropriaram os bens da burguesia branca racista, mas somente se destituiu ela de seus cargos no governo.
Por isso, independentemente do que tenha motivado o assassinato de Eugene Terreblanche, tanto motivos políticos diretamente, quanto trabalhistas, para o Movimento Revolucionário, ambos são justificativas plausíveis para tratar os dois homens não como criminosos, mais sim como heróis, pois eles fizeram uma parte daquilo que as mobilizações na queda do apartheid foram impedidas de fazer: acabar com a burguesia racista.
Tudo isso mostra que o racismo existente no capitalismo é uma verdadeira gangrena que deve ser decepada com o uso da força dos trabalhadores conscientes, negros e brancos, que juntos lutam contra a burguesia.
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