Publicada em 15/10/2007


Capitalismo e Pedofilia:
como os filhos dos trabalhadores sofrem
com a violência sexual do capitalismo.

           Na última 3ª feira -09/10- a Interpol, com a ajuda da Polícia Federal da Alemanha, conseguiu descobrir o rosto de um pedófilo que há anos publicava, na internet, fotos suas abusando de crianças. Descobrir a identidade dos envolvidos em casos de exploração sexual infantil é, com certeza, um primeiro passo para que se possa puni-los, mas a pergunta que devemos nos fazer é: isso adianta para alguma coisa?

           A exploração sexual de crianças, seja por parte de quem alicia, como por parte de quem "consome", sustenta-se no fato de que a sociedade capitalista é uma sociedade doente e reprimida. Trabalhadores ou patrões, ricos ou pobres, em maiores ou menores medidas, sofrem as consequências de uma ideologia -burguesa- dominante que encara a sexualidade enquanto um tabu e não aceita as suas diferentes formas de expressão.

           A opressão feita sobre a mulher é uma das mais evidentes. Ainda que a virgindade feminina não seja mais um princípio para a grande maioria dos homens, as mulheres seguem sendo rotuladas e classificadas socialmente pela quantidade de parceiros sexuais que possuem e isso condiciona o quanto elas devem, ou não, ser respeitadas. A homofobia, uma outra forma de opressão, mas dessa vez sobre os homossexuais, também expressa a impossibilidade de que as pessoas vivam livremente a sua sexualidade: o homo/ bissexual é visto como um doente, um pervertido, uma pessoa que não sente afeto por ninguém e que "quer dar pra todo mundo". Mas e o homem heterossexual? Ainda que este não sofra o preconceito e a opressão, ele é, sim, pressionado a relacionar-se com o maior número possível de mulheres, mesmo sem vontade, e é educado a ver e a tratar a mulher enquanto um objeto sexual, além de não poder demonstrar afeto, fraqueza, e outros sentimentos. E o que isso tudo tem a ver com a pedofilia?

           É evidente que numa sociedade assim, em que os sentimentos e as vontades não podem ser colocados de forma natural e honesta, as consequências não poderiam ser muito diferentes: pessoas adultas, reprimidas, que têm desejos e materializam os seus desejos através de práticas sexuais -forçadas- com crianças. E isso não é um mal exclusivo do capitalismo: toda a sociedade cujos pilares assentem-se sob a propriedade privada desenvolverá os mais variados tipos de deformações.

           Não caiamos em discursos do tipo "mas com determinada idade já não é mais criança", "a sexualidade também faz parte da criança" e etc. É óvio que a sexualidade faz parte do ser-humano por toda a sua vida, mas ela é sentida e exercida de diferentes maneiras, a depender da etapa do desenvolvimento pela qual se está passando. O que estamos tratando aqui são de relações forçadas, que na maioria das vezes machucam as crianças, provocando danos não somente psicológicos, mas também físicos.

           Assim, a responsabilidade sobre a pedofilia não recai sobre indivíduos específicos que, ao isolarmos do convívio social, teremos solucionado o problema : mesmo que todos os pedófilos do mundo sejam presos ou mortos, isso não impedirá que se desenvolvam outros. Isso significa que nada pode ser feito?

           Pode, sim. A única solução para que se acabe não somente com a pedofilia, mas com as mais diversas "doenças" sexuais, é construir uma sociedade na qual todos possam expressar, viver e discutir a sexualidade de modo claro e honesto, sem preconceitos. Os tabus e preconceitos, sustentados a partir da ideologia burguesa, nada mais são do que uma forma de manter a opressão e exploração da mulher, a divisão da classe trabalhadora e o controle sobre a sexualidade a partir da ignorância e do medo. E uma sociedade realmente livre, em todos os sentidos, só pode existir se estiver sob o controle dos trabalhadores, dos que hoje são explorados e oprimidos, onde os meios de produção e as relações sociais existam para o desenvolvimento do ser-humano, e não para o enriquecimento de meia dúzia de indivíduos, enfim em uma sociedade Socialista.

 

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