França dá continuidade à sua onda de xenofobia e
proíbe uso do véu islâmico!
Na terça-feira, 14 de setembro, com 246 votos a favor e um contra, o Senado francês aprovou a lei que proíbe o uso do véu islâmico integral (que cobre o rosto, total ou parcialmente) em locais públicos. Há ainda um prazo de 10 dias para que a lei seja impugnada no Conselho Constitucional, o que é pouco provável.
Na verdade, o texto aprovado não cita explicitamente o véu, mas “proíbe a dissimulação do rosto em espaço público”. Isso significa que usuários de máscaras do Pânico também serão advertidos? Não se pode mais usar nariz de palhaço? Evidentemente que não é isso! A proposta foi criada justamente para coibir e constranger, mais uma vez com políticas racistas e xenófobas as comunidades “minoritárias”.
O governo de Sarkozy vem destacando-se por esse tipo de postura. Recentemente, por exemplo, expulsou ciganos romenos da França, o que foi criticado pela própria União Europeia -também racista e xenófoba-, só para ver a que ponto está chegando!
Para quem usar o véu integral (burqa, que cobre o corpo inteiro, inclusive os olhos, ou niqab, que deixa apenas os olhos de fora) há multa de 150 euros. Para os maridos que obrigarem suas esposas ao uso, a pena varia de um ano de prisão a multa de 30 mil euros.
A França é o país europeu com a maior comunidade muçulmana: aproximadamente 6 milhões de pessoas. Entretanto, isso não se reflete em qualquer política de respeito e conciliação, e sim em mais preconceito e repressão!
Para aqueles que acreditaram no discurso fácil do governo de que isso vem no sentido de proteger as mulheres da opressão que significa o uso do véu, ledo engano! Sarkozy e seu parlamento xenófobo estão pouco se importando com a condição dessas mulheres. O que pretendem, sim, é criar um ambiente cada vez mais insuportável para essa comunidade, de modo que se sinta obrigada a retirar-se.
Além disso, é inegável a criminalização que o islamismo vem sofrendo por parte do imperialismo! Ridicularizam os países muçulmanos, ameaçam queimar seu livro sagrado, tratam a todos por “terroristas”, como se já não bastassem suas tropas de ocupação permanente em diversos desses países! É a nova Guerra Santa! Quem são eles para bradar o fim da opressão à mulher? Quem são eles para falar em democracia e liberdade de expressão?
Nós, comunistas revolucionários, defendemos o fim de todo e qualquer tipo de opressão à mulher. Nisto está incluído o combate à repressão feminina pelos islâmicos. Somos contra que as mulheres se cubram, pois isso não é uma opção estética. É uma clara medida de repressão sexual contra as mulheres. Os maridos que obrigam a mulher a se vestir com burca, portanto, realmente devem ser punidos. Assim como os maridos católicos que batem em suas mulheres que flertaram com algum homem, ou que resolvem sair para beber com suas amigas.
Porém, a luta pela emancipação da mulher, e para que elas não precisem se cobrir dos pés à cabeça, nem ter que casar virgens ou ter que “cuidar da casa” enquanto o marido faz o que quer, é uma luta política e social, que deve ganhar as mulheres para esta ação. Não se pode impor que elas se vistam, se comportem e façam o que o Estado burguês quer, mesmo sob a bandeira do laicismo.
Defendemos, evidentemente, que nenhuma mulher seja constrangida e submetida a fazer e vestir qualquer coisa que não queira. Ou seja, suas ações e vestimentas devem ser parte única e exclusiva de uma decisão sua, e não da imposição do marido, do pai ou do governo, seja para colocar, seja para tirar!
Entretanto, o ponto principal sequer é esse. Acima de tudo, somos contra a lei francesa e o governo Sarkozy! De um lado, proíbe o uso do véu alegando respeito às mulheres e, do outro, defende o aumento da idade necessária para a aposentadoria, atacando especialmente as mulheres, que vivem décadas sob a dupla jornada. Isso sim que é incoerência!
Estamos ao lado da comunidade muçulmana contra mais esse ato de opressão, racismo e xenofobia!
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