Publicado em 05/08/2010

Pela libertação de Sakineh e de todas as mulheres do mundo!

        A pressão interna e externa contra o apedrejamento da iraniana Saki-neh Mohammadi Ashtiani vem chamando a atenção.

        Após conquistar intelectuais e artistas hollywoodianos, foi a vez de chamarem Lula a pronunciar-se a respeito. Depois de uma primeira declaração de que “lavava as mãos” numa situação como essa, ofereceu asilo à iraniana.

        Sakineh foi julgada em maio de 2006, acusada de adultério e relacionamento “ilícito” com dois homens, pelo qual foi condenada à morte. A sentença original previa o apedrejamento, mas diante das pressões, foi substituída pelo enforcamento. Ela já recebeu 99 chibatadas e o anúncio de que a aplicação da pena “final” estaria aproximando-se gerou mobilização internacional. Há, inclusive, um abaixo-assinado circulando pela internet, no qual se exige a libertação de Sakineh.

O roto falando do esfarrapado

        A situação de bárbara opressão sob a qual se encontram as mulheres iranianas é um prato cheio para a democracia burguesa gabar-se de suas “liberdades” e reforçar o coro contra o presidente Mahmoud Ahmadinejad.

        É evidente que o adultério, ou os casos de mulheres que têm relações sexuais sem serem casadas, serem punidos com a pena de morte é de ab-surdo machismo e arbitrariedade por parte do Estado. É impossível negar que a relativa liberdade conquistada pelas mulheres em algumas sociedades é uma vitória. Porém, isso não significa que o machismo e a opressão sejam exclusividade de alguns países.

        Os Estados Unidos a “terra da liberdade”-, assim como Inglaterra e França, são países onde, assim como no Brasil e em outros ocidentais, as mulheres não são enforcadas e nem apedrejadas, mas são vítimas constantes do machismo e da exploração. Criticam a burca -pouco utilizada no Irã, mas comum em regiões como Iraque e Afeganistão- mas ignoram que nos países “livres” as mulheres também devem “observar” seus trajes com cui-dado, sob pena de serem assediadas e molestadas e, ainda, acusadas de terem incitado a agressão (vide barbárie sofrida pela estudante Geisy Arruda na Uniban no ano passado).

        Assim, quando ouvimos suas críticas às machistas sociedades do oriente, devemos ter claro que é o roto falando do esfarrapado: governantes que criam e sustentam leis que oprimem e exploram as mulheres, além de, ainda que por outras vias, também atentarem contra suas vidas.

Pela libertação de Sakineh e de todas as mulheres do mundo!

        O caso de Sakineh é o que mais vem ganhando repercussão, entretanto, não é um caso raro, ou sequer isolado, na realidade social de alguns países. Há meninas que, ainda na adolescência, são condenadas à morte e, presas, aguardam completar seus 18 anos para, então, serem mortas.

        Essa situação não pode ser aceita sob o argumento do “respeito às diferentes culturas”, mas também não pode ser vista sob um olhar igualmente racista de que isso é uma prática de povos bárbaros! Cada sociedade assentada sob a propriedade privada e, consequentemente, legitimadora do machismo, utiliza-se de diferentes instrumentos para controlar a mulher, uns mais evidentes, outros mais disfarçados.

        Exigimos a imediata libertação de Sakineh e de todas as outras mulheres em igual situação (presas por traírem seus maridos, por terem cometido abortos...), assim como daquelas que estão livres “de corpo”, mas têm suas mentes aprisionadas e domesticadas pela ideologia capitalista! A solidariedade das mulheres e dos trabalhadores do mundo inteiro deve voltar-se também para essa causa!

 

 

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