Publicada em 06/06/2008

Sargento do exército brasileiro
assume ser homossexual e é preso

O sargento Laci Marinho de Araújo assumiu ser gay em uma entrevista à revista Época, revelando ter um relacionamento de 10 anos com o também militar Fernando Alcântara de Figueiredo. Após assumir sua orientação sexual, imediatamente o exército brasileiro expediu um mandado de prisão alegando que o militar já possuía um processo por deserção das forças armadas. A posição pública do exército é que a prisão nada tem a ver com o fato do Sargento ter assumido sua homossexualidade. Porém, é evidente que a declaração do oficial está intimanete ligada ao seu afastamento. Esse fato só serve para evidenciar o papel do exército que, além de ser o defensor armado da burguesia, dissemina a homofobia das mais variadas formas.

O militar foi detido após conceder entrevista ao vivo a uma emissora de televisão de São Paulo. Integrantes do Exército cercaram a sede da emissora de TV na noite de terça-feira. Após negociações, às 4h, o sargento saiu acompanhado do parceiro, e foi levado pelo Exército.

Fruto de toda a pressão que já é comum no exército, e agravada pelo fato de ter assumido ser gay em um dos ambientes mais preconceituosos, racista, machista e homofóbico como o exército, Laci Marinho está com problemas de esclerose múltipla, psicose orgânica e disfunção de labirinto. O seu estado emocional é bastante abalado.

As forças armadas sustentam a violência capitalista, e se apóiam na homofobia para atacar os trabalhadores. 

Esse fato chama atenção por ter acontecido com um oficial das forças armadas, mas não é um caso isolado. A população GLBT sofre com a homofobia diariamente, chegando muitas vezes a serem agredidos ao assumirem sua orientação sexual. E esta posição do exército de prender o oficial só mostra o quanto fazem questão de dar uma lição, pois ao assumir sua homossexualidade o sargento se enfrenta diretamente com a cúpula das forças armadas Brasileiras, que precisa manter a aparência de homens bravos e fortes. O sargento passou mais de dez anos compondo o exército, como parte dessa ideologia, mas agora ao assumir ser homossexual não pode mais compor este grupo. Isso é a prova de que a burguesia e as Forças Armadas não se preocupam em saber se sua ideologia é verdadeira, nem se faz sentido. A preocupação é em passar uma "imagem", por mais falsa que seja. Essa é a prova que a orientação sexual não é motivo para diferenciar as pessoas, e que um gay pode ser tão "forte e bravo" quanto um oficial heterossexual.

O capitalismo usa dos preconceitos, da homofobia, do racismo e do machismo para melhor explorar os trabalhadores. Para isso cria diferenças que não existem naturalmente ou que nada teriam a ver com a capacidade das pessoas, para justificar os baixos salários para estes setores de trabalhadores, e extrair uma mais valia ainda maior destes trabalhadores. O exército, além de servir para manter a ordem burguesa, cumpre um papel de incentivar ideologias fascistas, e é esse o real motivo da detenção do sargento.

Os trabalhadores devem repudiar esse ato homofóbico. O problema desse sargento não é o fato de eles ser gay. O que coloca ele contra os trabalhadores é que até então ele fazia parte da cúpula de uma instituição que tem o papel de reprimir e matar trabalhadores em nome da ordem. Ordem essa que está a serviço dos ricos e corruptos, da burguesia.

O governo Lula é homofóbico: Assina embaixo a detenção do oficial 

A posição do ministério da Defesa do governo Lula vai ao sentido de dar total apoio a essa medida das Forças Armadas. Usando a desculpa da deserção do oficial, o ministro Nelson Jobim, declarou que as Forças Armadas têm o direito de prender o sargento. E não poderia ser diferente, pois hoje no Brasil é o governo Lula o responsável por impor ataques aos trabalhadores, e para isso ele precisa ir até as últimas conseqüências. Lula tenta fingir que combate a homofobia, com programas como o "Homofobia Zero". Assim como os tantos programas do governo, é uma fachada que em nada muda a vida dos trabalhadores e muito menos combate a opressão.

O único jeito de acabar com os preconceitos, e com a violência sobre os setores que além de explorados são oprimidos no capitalismo é derrotando o governo Lula, o capitalismo e esse exército que o sustenta. Construindo uma nova sociedade, a Socialista. E esta nova sociedade vai ser fruto da luta da classe trabalhadora. Nessa luta,  devem estar juntos todos trabalhadores explorados e à frente disso, os oprimidos: gays, negros e mulheres; pois só assim é possível acabar com a exploração e toda a forma de opressão.

 

 

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