Militar que assumiu ser gay é torturado na prisão
A declaração pública, dada na última semana, em que o Sargento Laci Araújo admitiu ser homossexual e viver com outro militar, o também Sargento Fernando Alcântara, há mais de dez anos, está tendo graves conseqüências.
Além de Laci ter sido preso, sob a alegação de ser desertor, ele vem sofrendo maus tratos e abusos na prisão do Distrito Federal, segundo declarações de seu companheiro.
Ao ser levado para Brasília, ele teria sofrido agressões de outros membros do exército, sendo algemado e jogado no chão. Um acordo firmado entre o exército e o senador Eduardo Suplicy (PT), para que Laci ficasse internado no Hospital das Forças Armadas (HFA), foi descumprido, segundo Alcântara, e desde o dia 06/06 Laci está na carceragem da polícia estadual.
Lá, ele vem sofrendo torturas psicológicas, sendo revistado diversas vezes ao dia, e não podendo receber sua medicação de uso contínuo.
A prática de tortura física e psicológica é adotada pelo exército tanto contra os presidiários quanto contra a população que está “em liberdade”. Constantemente são noticiados casos de abusos da parte de policiais, principalmente contra a população mais pobre. Entretanto, as denúncias apresentadas por Laci e Fernando tornam-se ainda mais graves por estarem ligadas a casos de tortura praticados com motivação homofóbica, ou seja, o motivo pelo qual eles vêm sendo perseguidos e agredidos está ligado ao fato de não terem a orientação sexual predominantemente aceita socialmente, que é a heterossexual.
Defendemos que Laci seja posto em liberdade imediatamente e que, caso seja de seu interesse, volte a exercer suas funções militares como anteriormente. Seus torturadores é que devem ser presos e responder a processos, pois é inadmissível que o preconceito contra os homossexuais siga sendo tolerado. A criminalização da homofobia é uma necessidade não somente dos homossexuais, mas de todos aqueles que são oprimidos e agredidos dentro da sociedade na qual vivemos.
Mulheres, negros (as) e homossexuais são as maiores vítimas de violência preconceito e opressão, sendo que as poucas leis que existem para protegê-los desse tipo de situação são inoperantes e insuficientes, não garantindo sua segurança e muito menos seus direitos. Mais grave ainda no caso dos homossexuais, por não haver qualquer lei que puna seus agressores, que expressa principalmente o descaso dos governos quanto à causa GLBT.
O capitalismo se utiliza da homofobia, do racismo, e das mulheres para dividir a classe trabalhadora colocando uns contra os outros, para enfraquecer as lutas. Por isso a luta do movimento de GLBT, do movimento negros, e a do movimento de mulheres deve ser unificada com toda a classe trabalhadora como um todo, para juntos, construírem um programa de combate à exploração e ao preconceito, contra o capitalismo, dando um fim à violência sofrida constantemente, para construir uma sociedade livre de preconceito e opressão.
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